23/11/2003 18:18
Saudações vapíricas ...
Eu estou meio que em alfa... sexta faleceu um menino na escola...e esse fato me fez relembrar pessoas que eu amava muito muito que eu perdi pra sempre... me fez pensar até quando eu vou viver, até quando vale a pena viver...e se há algum sentido em tudo que faço, ou se pelo menos, vou olhar pra trás e dizer:
- Puta que pariu, eu aproveitei hein!
Ou sei lá, algo do gênero... acho que eu ando tão enlouquecida... até tive 3 vezes o MESMO sonho essa noite...
E tudo isso me fez lembrar perfeitamente de Álvares de Azevedo... e um de seus mais conhecidos poemas...
Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente
E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento;
Não quieto que uma nota de alegria
Se cale por meu triste pensamento
Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro
- Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;
Como o desterro de minha alma errante,
Onde fogo insensato a consumia
Só levo uma saudade - é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.
Só levo uma saudade - e dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas...
De ti, ó minha mãe! Pobre coitada
Que por minha tristeza te definhas!
De meu pai... de meus únicos amigos,
Poucos - bem poucos - e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoidecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.
Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seiso treme ainda,
É pela virgem que sonhei... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!
Só tu a mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores...
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.
Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo...
Ó minha virgem dos errantes sonhos.
Filha do céu, eu vou amar contigo!
Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida.
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
- foi poeta - sonhou - e amou na vida.
Sombras do vale, noites da montanha,
Que minha alma cantou e amava tanto,
Projetei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramei-lhe uma canto!
Mas quando preludia ave d aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abria os ramos...
Deixai a lua pratear-me a lousa!
Bloody Kisses
Gi
enviada por ¤-|- £äðy Gi -|-¤
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